Titulo matéria de capa:Comercialização do pescado: pontos críticos.
PESQUISA NO BRASIL:
INVESTIMENTO, APLICAÇÃO E DIVULGAÇÃO.
PESQUISA NO BRASIL:
INVESTIMENTO, APLICAÇÃO E DIVULGAÇÃO.
Entrevista do sociólogo Simon Schwartzman,ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística e atualmente no Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), à revista Veja (edição 2059, 07/05/2008, pgs. 11 a 15), trouxe novamente à tona a polêmica em torno da qualidade da pesquisa desenvolvida em nosso
País e, sobretudo, de sua aplicabilidade imediata.
Em sua análise,Schwartzman chama a atenção para o papel desempenhado pelas universidades brasileiras
em prol do desenvolvimento do País: "as pesquisas ficam restritas ao âmbito acadêmico e não se transformam em produtos ou serviços úteis à sociedade; não há transferência de conhecimento,
nem mesmo quando se trata de uma pesquisa aplicada". É uma discussão antiga que, na opinião
do sociólogo, deve ter um rápido desfecho, sob pena do Brasil "perder o bonde da história".
Certamente, para um país em desenvolvimento,
é vital que se priorize a pesquisa capaz de se
transformar rapidamente em tecnologia
que, por sua vez, alavancará o setor empresarial e, como conseqüência,trará a melhoria da qualidade
de vida da população. Para tanto, parece lógica a interação entre universidade e empresa, fato usual no modelo americano, mas nem sempre facilitada
e bem-vista em nossa realidade.
Ninguém discute a necessidade de investimentos em pesquisa, porém a polêmica avança para terreno pantanoso quando a questão é definir as linhas de pesquisas que deverão receber prioridade e, portanto,dinheiro. Quais os critérios que devem ser obedecidos por uma universidade, para que
ela defina suas linhas de investigação científica?
A resposta de Simon Schwartzman é enfática: "Cada instituição deve eleger prioridades estratégicas,
voltadas para as demandas da sociedade.
Não tem sentido, por exemplo, o Brasil fortalecer
sua pesquisa em física de partículas,hoje uma área bilionária. O governo pulveriza muito os recursos e os projetos contemplados não conseguem
crescer." Nesse contexto,outro ponto que preocupa
é o da divulgação da pesquisa. Faz parte das obrigações dos pesquisadores, até por imposição de ascenção na carreira acadêmica, a publicação dos trabalhos em periódicos conceituados, com
arbitragem e indexados em bases de dados nacionais e estrangeiras. Tem feito parte desta lógica, todavia, que a publicação em periódicos estrangeiros apresenta valor diferenciado para
o currículo dos acadêmicos, sentimento este não só compartilhado, mas estimulado pelas financiadoras de pesquisa. Sobre esta questão, devese ressaltar, merecendo profunda meditação, a colocação do presidente da Associação Brasileira de Editores Científicos, professor Benedito
Barraviera, publicada na seção de cartas da edição posterior da mesma revista (Veja, 14/05/2008), como segue.
"A Revista Veja desta semana (14 de maio) publicou na sessão de Cartas, à página 38, parte desta Carta que envio na íntegra para os colegas da ABEC. Trata-se de um comentário,com o objetivo de valorizar as nossas publicações, sobre a entrevista com o Prof. Simon Schwartzman publicada na semana passada. Concordo plenamente com a entrevista do Professor Simon Schwartzman, quando diz que o sistema de avaliação utilizado
pela CAPES tem mais de 30 anos e foi até agora o ponto de
inflexão na me horia da qualidade da pesquisa produzida no Brasil. Por conta desta "cobrança de qualidade" das agências de fomento (leia-se
CAPES, CNPq, FAPESP, etc) as revistas científicas brasileiras ganharam ao longo destes anos qualidade e competitividade jamais vista. Assim,
hoje temos periódicos indexados na maioria das agências internacionais,o que dá visibilidade e respeitabilidade à pesquisa produzida no Brasil.
"O estímulo à publicação em revistas internacionais deve ser revisto pelas nossas autoridades. É chegado o momento de mudar o foco e valorizar as publicações nacionais. Isto
porque os nossos pesquisadores deixariam
de sofrer a "arrogância intelectual
do Norte" postulada pelo professor
Sotomayor (Sotomayor JFA. A arrogância intelectual do Norte. J. Consel. Fed. Med, v.10, n.71, p.6, 1996). Assim, nossa ciência deixaria
de ser discriminada, copiada e até desvalorizada, uma vez que os nossos problemas são bem diferentes dos deles. É chegado o momento de se
estimular o nosso pesquisador a publicar
a nossa ciência em revistas nacionais de penetração internacional. Isto porque a Internet, e por sua vez os periódicos eletrônicos, vieram derrubar barreiras e permitir que qualquer centro de pesquisa do mundo tenha acesso às nossas informações. É preciso ter consciência que tudo o
que você colocar na rede, desde que tenha qualidade e redigido no idioma inglês, será visto por eles e portodos os interessados. Esta mudança
comportamental canalizaria mais investimentos para os Editores brasileiros, daria prestígio, qualidade, agilidade e velocidade à publicação
da nossa ciência. Por fim, colocaria o Brasil num patamar científico internacional compatível com seu crescimento econômico e científico."
J.C.Panetta,
maio de 2008.
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