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CAFÉ: RUMO À MAIORIDADE NA QUALIDADE.
CAFÉ: RUMO À MAIORIDADE NA QUALIDADE.(Editorial parcial)
Getúlio Vargas certa vez disse que "o ideal é a alma de todas as realizações".
Este mesmo Getúlio que incluiu o Brasil no mapa da responsabilidade social,com a criação da Consolidação das Leis Trabalhistas e que autorizou a queima de café, para auxiliar na regulação do mercado brasileiro,pós crise econômica de 1929, numa época em que o finado Sr. Ernesto Illy ainda era pequenininho e o negócio do café expresso, uma idealização da família dele, restrita ao
território italiano.
A queima do café deveria ter ensinado a cafeicultura brasileira, já na década de 1930 e 1940 a buscar prospectar o mercado internacional da mesma forma que os colombianos.
Enquanto no Brasil surgia o epartamento Nacional do Café, que mais tarde deu origem ao extinto Instituto Brasileiro
do Café, a Colômbia criava a lenda "Juan Valdez". Ambos projetos,
diga-se de passagem, são contemporâneos. Enquanto crescíamos
em quantidade, eles cresciam em qualidade e viraram grife reconhecida, inclusive como origem no contrato da antiga CSCE (Coffee, Sugar and Cocoa Exchange),atual ICE (Intercontinental
Exchange). Surge o papel da personagem
emblemática encantadora, que conduz
o consumidor pela mão à luta imaginária contra as Farcs e os narcotraficantes
para salvar vidas de inocentes. O poder de Juan Valdez... Mais do que uma bebida
exótica, o café, nesse caso é uma
bebida com fortíssimo apelo social. O mesmo equivale para os cafés cultivados na América Central,em vários países dos continentes africano e asiático. Cafés sociais,exóticos, geram comoção e por conseguinte,mercados consumidores
cativos, cônscios de que o seu prazer
salva vidas anônimas, distantes do seu mundo situado normalmente em países desenvolvidos.
A sintonia fina do Brasil com essa demanda mundial começa a ganhar impulso há cerca de 17 anos atrás, quando a extinção do Instituto Brasileiro do Café (IBC) expôs as fragilidades do setor ao mundo, pela perda da paternidade,obrigando-o a optar pela qualidade.
Os saltos registrados ao longo de todo esse tempo, conduziram o país a um patamar impressionante de recuperação, especialmente do seu índice de consumo
interno, tornando-o um ativo difusor
da causa da qualidade no mundo. Um reflexo dessa recente história deu-se pela chancela da Organização Internacional do Café ao Programa Café e Saúde e mais recentemente pela ativa participação do país como ator na implantação Código Comum para a Comunidade Cafeeira, também conhecido
como 4C's, a partir do ano passado, demostrando um compromisso nacional com a qualidade.
Há muitas vertentes a serem discutidas quanto às modificações registradas nos últimos anos, mas o 4C é um marco significativo no design do novo mercado cafeeiro global que se desenha. Embora seja um padrão internacional bastante
criticado, a idéia da planificação da
qualidade é atrativa, já que no médio prazo, aquilo que conhecemos como qualidade técnica da bebida hoje (cafés livres de grãos pretos, verdes e ardidos, tipo 6 para melhor (86 defeitos, padrão BMF), bebida dura e ou superior),deixará de ser um diferencial, para se tornar uma obrigação. O mercado caminha para essa realidade, à medida que a grande indústria de café internacional tornou-se o principal demandante desse tipo
de certificado de café, já que ele
presta-se de contraponto à pluralização
de programas de certificação no mundo, que muitas vezes criam dificuldades para esses mesmos fabricantes, que obrigam-se a ter em suas embalagens entre 03 a 08 tipos de certificados diferentes,dependendo do mercado consumidor onde atuam. Isto posto, tornase necessária a disposição de
uma breve conversação sobre possibilidades de cenários para a cafeicultura.
O 4C portanto, é o ponto de partida para a análise apresentada a seguir.
Mercado Mundial A previsão para o ano safra 2008/2009 é a colheita entre 123 e 126 milhões de sacas, de acordo
com a Organização Internacional do Café, com projeção de consumo para o ano de 2008, prevista entre 123 e 125 milhões de sacas,caso o crescimento do consumo mundial mantenha-se na casa dos
1,5 a 2% ao ano. Esse perfil de escassez
da oferta de grãos, por sua vez, impacta diretamente na elevação do preço médio mundial da bebida. De acordo com a Associação Alemã de Cafés (Deustcher
Kaffeeverband), o preço médio do
quilo do café torrado na União
Européia foi de • 7,40, assumindo
uma tendência altista de até 5%
para o ano de 2008, impulsionadas
pelas altas do preço dos contratos
de café negociados nas bolsas de
Nova Iorque e Londres (em torno
de 20%), conforme aponta informações
da Illy Café.
A demanda por grãos, combinadas
por preços mais atrativos,
ainda que se considere a volatilidade
dos contratos negociados na
Bolsa nova-iorquina, cuja média
acumulada em 2007 foi de 2,42%,
de forma alguma altera a tendência
mundial de busca de novas
fronteiras de produção de cafés,
com vistas a minimização de preços
da matéria-prima utilizada na
formação de blends industriais.
Como a oscilação do preço do café
industrialização é praticamente
descolada do preço do café verde
no mundo, o mercado consumidor,
principalmente em mercados
desenvolvidos, tem possibilidade
de crescimento projetado estruturado:
média anual variando entre
1,5 e 3% ao ano.
Se por um lado a produção no
Vietña já assusta, em decorrência
dos preços praticados na venda de
seus cafés, pode-se afirmar que a
inserção de investimentos em território
africano, especialmente em
países produtores do Leste Africano,
podem assustar ainda mais.
Ao que parece, a variável produção
de cafés de qualidade nestes
territórios, será nivelada por meio
da adoção do Código Comum
para a Comunidade Cafeeira, programa
certamente aceito pela Comissão
da Agricultura da União
Européia, uma vez que a Organização
Internacional do Café situase
em território europeu e é membro
efetivo da FAO. Se tal premissa
se confirmar, a ampliação dos
investimentos estrangeiros nesses
países continuará a ganhar impulso, já que a idéia de se desvincular
do Brasil, como fornecedor de
café, é uma idéia que apetece um
conjunto significativo de traders
internacionais. Explico: cafés produzidos em países paupérrimos,
com graves problemas sociais, tem
apelo fortíssimo junto aos conscientizados consumidores da Europa,
Estados Unidos, Canadá e Japão.
Não apenas pela questão social propriamente dita, mas pelos aspectos ambientais e exóticos contidos no produto.
Além disso, a proximidade dessas regiões produtoras, com grandes mercados consumidores, tem estimulado também o investimento industrial. O recente anúncio de instalação de uma fábrica de produção de café solúvel na Rússia, realizado pela Kraft Foods, demonstra uma tendência da busca
natural pela proximidade entre
produtores e consumidores. A Rússia,
ressalta-se, é o principal mercado
consumidor de café solúvel do planeta e principal cliente do solúvel brasileiro.
O 4C, ressalta-se, resolve um problema da indústria global, a medida que seu código de conduta prevê as sustentabilidades social,ambiental e econômica, que são elementos de exigência para consumidores adquirirem produtos nos principais mercados. Ele preserva a prática da commoditização,
sem deixar de privilegiar aspectos
relevantes para os consumidores.
O efeito no Brasil, quando se refere
ao mercado interno, nesse sentido,
tende a demorar um pouco mais a se efetivar. Sobre o mercado
nacional, disserta-se a seguir.
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